quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SENHORA - Questões


Assinale a(s) alternativa(s) em que a correlação entre o excerto, extraído da obra Senhora, de José de Alencar, e o que se declara a seu respeito, está correta.
(01) “Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.” – Descrição de Adelaide Amaral, com quem Fernando Seixas contratara casamento, em troca de um dote de trinta contos de réis.
(02) “A história é verdadeira; e a narração vem da pessoa que recebeu diretamente, e em circunstâncias que ignoro, a confidência dos principais atores deste drama curioso.” – Compromisso ilusório entre o leitor e o autor, gerando cumplicidade e objetivando o efeito de verossimilhança.
(04) “A senhora comprou um marido: tem pois o direito de exigir dele o respeito, a fidelidade, a convivência, todas as atenções e homenagens que um homem deve a sua esposa.” – Comunicado do advogado sobre os direitos legais adquiridos por Aurélia, ao comprar seu marido Seixas.
(08) “Antes de concluir a negociação, devo revelar-lhe a origem deste dinheiro, para desvanecer qualquer suspeita de o ter eu obtido por seu crédito e como seu marido. Não, senhora, adquiri-o por mim exclusivamente.” – Fala de Fernando a sua esposa, explicando a origem do dinheiro, fruto de sua regeneração e atestado de que o romance alencariano preserva a visão maniqueísta e a ideologia vigente.
(16) “- É tempo de concluir o mercado. Dos cem contos de réis, em que o senhor avaliou-se, já recebeu vinte; aqui tem os oitenta que faltam. Estamos quites, e posso chamá-lo de meu; meu marido, pois este é o nome de convenção.” – O trecho corresponde a uma fala de Aurélia Camargo, dirigida a Fernando Seixas, exemplificando uma narrativa que pode ser chamada de romance da vingança.
(32) “- O passado está extinto. Estes onze meses, não fomos nós que os vivemos, mas aqueles que se acabam de separar, e para sempre. Não sou mais sua mulher; o senhor já não é meu marido. Somos dois estranhos.” – Ruptura definitiva entre Aurélia e Seixas, confirmando a ideologia vigente, segundo a qual, casamento por interesse não traz felicidade.
(64) “Desta vez o purpurino velhinho empalideceu, sintoma assustador em tão completa e macia carnadura, como a que lhe acolchoava as calcinhas emigradas e o fraque preto.” – Texto relacionado ao tio de Aurélia, o Sr. Lemos, personagem caracterizada como o representante do campo oposto ao circuito do bem.
Texto para as questões 02 e 03
- Meus Deus, por que não me fizeste como as outras? Por que me deste este coração exigente, soberbo e egoísta? Posso ser feliz como são tantas mulheres deste mundo, e beber na taça do amor, em que talvez nunca mais toquem estes lábioa? Não é o néctar divino que eu sonhei, não; mas dizem que embriaga a alma, e faz esquecer!...
O espírito de Aurélia rastreou a idéia que despontava, e por algum tempo que embalou-se no sonho:     ............................
- Não! Exclamou arrebatadamente. Seria a profanação desse santo amor que foi e será toda a minha vida!
Dirigiu-se então à porta, onde pouco antes escutara; deu volta à chave, e afastou uma das bandas. Pouco depois Seixas roçagou a cortina, e cingindo o talhe de sua mulher, foi senta-la em uma das cadeiras.
- Não me mates de felicidade, Aurélia! Que posso eu mais desejar neste mundo do que viver aos seus pés, adorando-te, pois que és minha divindade na terra.       ................................
- É então verdade que me ama?              .................................
- Pois duvida, Aurélia?          ......................
- E amou-me sempre, desde o primeiro dia que nos vimos? 
- Não lho disse já?    .......................................................
Aurélia estava lívida e a sua beleza radiante a pouco, se marmorizara.
- Ou para outra mais rica? – disse ela retraindo-se para fugir ao beijo do marido e afastando-o com as pontas dos dedos.
A voz da moça tomara um trimbre cristalino, eco da rispidez e aspereza do sentimento que lhe sublevava o seio e que parecia ringir-lhe os lábios como aço.   ...................................
- Aurélia, que significa isso?    ............................................
- Representamos uma comédia, na qual ambos representamos um papel com perícia consumada. Podemos ter esse orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. Entretemos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.   ................................
— Vendido! Exclamou Seixas ferido dentro d'alma.    ............
José de Alencar, Senhora

Considerando a totalidade da obra de onde foi extraído o texto, assinale as proposições verdadeiras:
(01) Focaliza personagens cuja relação será, a partir de então, marcada de harmonia, prazer e compreensão.
(02) Flagra um momento de uma mulher frustrada por não ter conseguido regenerar o homem amado, o que a levará ao desespero e descontrole emocional.
(04) Apresenta a personagem Aurélia detentora de qualidades que a distinguem da mulher comum.
(08) Registra o desenlace de uma situação estrategicamente planejada para atingir-se efeito moral.
(16) Narra um momento decisivo da obra, responsável por desencadear reações, cujo desfecho será benefício para fortalecer os laços efetivos da personagem.
(32) Expõe a personagem Aurélia reprovando um principio que contraria o seu ideal de amor.
(64) Retrata uma cena cujo desdobramento terá apenas resultados negativos para os propósitos da personagem feminina.

É correto afirmar sobre o texto, tendo em vista o conjunto do romance:
(01) Privilegia a complexidade psicológica dos personagens em detrimento da intriga amorosa.
(02) Tematiza o relacionamento amoroso, influenciado por fatores que podem comprometer a pureza do sentimento.
(04) Apresenta o sentimento, a emoção como elemento importante para o comportamento das personagens.
(08) Não apresenta indícios de ruptura com a visão romântica de vida, permanecendo rigorosamente dentro das perspectivas idealizadoras da relação amorosa.
(16) Mostra o amor, enquanto sentimento livre de influência das condições concretas, onde atuam os sujeitos em destaque.
(32) Faz uma crítica contundente à família como principal instituição responsável pela destruição do casamento burguês.
(64) A ênfase e a rigidez da fala final da protagonista cederão lugar à ternura, docilidade e compreensão, condição para um desfecho positivo para a união dos amantes.

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